"Acreditei nessa conversa mole/ Pensei que o mundo ia se acabar/ E fui tratando de me despedir/ E sem demora fui tratando de aproveitar", continuava o samba. "Beijei na boca de quem não devia/ Peguei na mão de quem não conhecia/ Dancei um samba em traje de maiô/ E o tal do mundo não se acabou".
Nos EUA, anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar no dia 21 de outubro último. E o tal do mundo não se acabou. A mesma previsão já fora feita para os dias 21 de maio deste ano, 21 de maio de 1988 e 6 de setembro de 1964. Em todos eles, o profeta do baldado apocalipse foi um só: o reverendo Harold Camping, líder da organização "religiosa" Family Network.
A cada vez que Camping faz a previsão, baseada em "cálculos numerológicos" da Bíblia, seus seguidores se desfazem de seus bens e economias e lhe entregam o dinheiro -para se certificar de que serão "salvos".
Com isso, calcula o "Washington Post", mais de US$ 80 milhões entraram na conta de Camping apenas nos últimos anos.
Sempre que, para sua conveniência, o mundo insiste em não acabar, o reverendo rosna e ameaça seus fiéis com um próximo apocalipse pior ainda do que os que já anunciou. Mais valia se esses fiéis, tratando de aproveitar, beijassem na boca de quem não deviam ou dançassem um samba em traje de maiô.

Este colunista desliga a geringonça, saúda o leitor e pede passagem, prometendo voltar no dia 30, se o mundo ainda estiver por aí.
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