Petistas e tucanos avalizam operação, apesar de bate-boca entre pré-candidatos
Datafolha mostra que maioria crê que viciados vão se espalhar pela cidade, o que pode ser usado em campanha
VAGUINALDO MARINHEIRO
DE SÃO PAULO
O bate-boca entre pré-candidatos do PT e do PSDB à Prefeitura de São Paulo sobre a operação da Polícia Militar na cracolândia não encontra eco entre os eleitores.
Ouvidos pelo Datafolha na quinta e na sexta, 82% dos paulistanos concordam com a ação da PM para tentar desbaratar o tráfico e o consumo de crack na região central de São Paulo.
Quando questionados que nota atribuem à operação, 72% dão seis ou mais. A nota dez foi citada por 28%.
Entre as pessoas que têm o PT como partido de preferência, 83% concordam com a operação policial. A nota média foi 7,4.
Os tucanos são ainda mais entusiastas: 90% concordam com a forma como a PM agiu e dão uma nota média de 7,9.
Segundo estudiosos, isso reflete a demanda da população por uma polícia mais forte e atuante.
"O paulistano gosta desse tipo de polícia que impõe mais rigor. Mas é necessário que ela seja controlada e transparente, para evitar abusos", afirma o sociólogo Renato Sérgio de Lima, secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A ação na cracolândia paulistana, conduzida pelos governos municipal (PSD) e estadual (PSDB), começou no dia 3, menos de um mês depois de o governo federal (PT) lançar seu plano nacional de combate ao crack.
Houve denúncias de que tanto a PM colocada nas ruas de forma apressada quanto o plano federal tinham motivação eleitoral -PT e PSDB, principalmente, gostariam de usar na campanha a bandeira de combate à droga.
Imediatamente, o tema mobilizou os pré-candidatos.
Entre os tucanos, Andrea Matarazzo, secretário estadual de Cultura, afirmou que "o governo do PT consolidou o crack na região central [da cidade]", numa alusão à gestão municipal de Marta Suplicy (2001-2004).
Já Fernando Haddad, pré-candidato petista, disse que a ação da PM foi "desarticulada", "desastrada" e "marcada pela repressão".
Ao menos por enquanto, a cracolândia parece não ter afetado a intenção de votos na cidade. A questão é saber se o tema continuará na agenda eleitoral.
"O uso político da ação na cracolândia vai exigir muito cuidado", afirma o cientista político Fernando Abrucio.
Segundo ele, é claro que num primeiro momento ela favorece o governo estadual.
"A classe média vai aplaudir, porque considera que o problema está sendo enfrentado. Mas quanto tempo dura esse efeito midiático, de uma cracolândia limpa? Além disso, é preciso ver se os viciados não vão se espalhar, o que provocaria um efeito negativo", diz Abrucio.
RESPONSABILIDADE
Os paulistanos estão certos de que irão se espalhar.
Para 82% dos ouvidos, os usuários buscarão a droga em outra região da cidade.
Os entrevistados são também céticos com relação a uma solução definitiva para o problema -57% afirmam que não é possível acabar com o tráfico e o uso de crack na cidade de São Paulo.
Nesse ponto, os tucanos são mais pessimistas: 68% são descrentes.
Mas a maioria, independentemente do partido de preferência, isenta os poderes públicos pelo problema.
Para 24%, os culpados são os próprios usuários.
Os traficantes vêm em segundo lugar (22%).
Depois aparecem o governo estadual (16%), o federal (14%) e a prefeitura (6%).
Disputa pela prefeitura segue estável, diz Datafolha
Maioria dos paulistanos desconhece os principais nomes à sucessão municipal
Serra é o tucano mais bem posicionado, mas possui rejeição alta e tem dito a partido que não é candidato
UIRÁ MACHADO
DE SÃO PAULO
A disputa pela Prefeitura de São Paulo mantém-se inalterada e, a oito meses das eleições, os principais candidatos ainda não são conhecidos pela maioria dos paulistanos, mostra o Datafolha.
Segundo pesquisa realizada quinta e sexta, nenhum candidato ultrapassa 21% de intenção de voto na maior cidade do país.
Um dos que apresentam o melhor desempenho continua sendo Celso Russomanno (PRB), que oscila de 17% a 21% e lidera quatro dos cinco cenários pesquisados.
No único quadro que Russomanno não lidera, ele fica atrás apenas de José Serra (PSDB), que aparece com 21%. O tucano, porém, tem dito a seu partido que não quer concorrer à prefeitura.
Serra tem contra si uma das maiores rejeições: 33% dos paulistanos dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Na pesquisa, só Netinho de Paula (PC do B) aparece à frente do tucano neste quesito, com 35%. Os dois são também os nomes mais conhecidos pelos entrevistados.
Os demais candidatos do PSDB que disputam a sucessão de Gilberto Kassab (PSD) -Bruno Covas, José Aníbal, Ricardo Tripoli e Andrea Matarazzo- variam de 2% a 6%.
O petista Fernando Haddad, que tem o apoio do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, não passa de 5%.
Já Gabriel Chalita (PMDB), candidato do vice-presidente Michel Temer, varia de 6% a 9% das intenções de voto. Ele oscilou positivamente em todos os quadros, sempre dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
O cenário é praticamente o mesmo mostrado pela pesquisa anterior, feita no início de dezembro.
A pesquisa foi feita com 1.090 eleitores da cidade de São Paulo e está registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número 00001/2012.
Outro Lado
Ministros e vice dizem cumprir legislação vigente
DE BRASÍLIA
A Presidência afirmou que cumpre os dispositivos do decreto sobre o transporte aéreo de autoridades.
O Ministério da Defesa afirmou que considera aspectos econômicos e de segurança para definir os voos.
A Vice-Presidência e ministérios citados na reportagem afirmaram que a utilização de jatinhos da FAB obedece à regulamentação do decreto que permite o deslocamento para o local de residência.
A assessoria de Michel Temer disse que ele segue as recomendações do Gabinete de Segurança Institucional para utilizar aeronaves da FAB por razões de segurança.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também afirmou que viaja em jatinhos por questão de segurança. Ele é escoltado por policiais.
O Ministério da Saúde afirmou que todos os compromissos públicos do ministro Alexandre Padilha têm foco na promoção da saúde.
Fernando Pimentel disse que o compartilhamento de aeronaves é feito sempre que indicado pela Defesa. Ideli Salvatti afirmou que opta pelos aviões da FAB porque existem somente dois voos diários diretos de Brasília para Florianópolis, sua casa.
A assessoria da ministra Maria do Rosário afirmou que o uso de aviões da FAB é priorizado para locais onde dificilmente há a possibilidade de ida e volta no mesmo dia.
Guido Mantega argumentou que o gerenciamento de voos é responsabilidade da FAB e da Defesa.
A assessoria de Garibaldi Alves informou que as viagens foram a trabalho.
Wagner Bittencourt disse que considera a disponibilidade de voos comerciais e da FAB que atendam às necessidades da sua agenda.
IV Reich já esta por ser instalado e, assim como em outras repressões, tem o apoio popular.
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