Apesar de a diversidade biológica da Terra sofrer graves ameaças, descobertas não param de surgir. Em apenas um ano, pesquisadores identificaram 19 mil espécies
Paloma Oliveto
Publicação: 30/01/2012 04:00
A biodiversidade mundial está em risco, e relatórios elaborados por organizações não governamentais e centros de pesquisa indicam, anualmente, uma redução preocupante no número de espécies de plantas, insetos e vertebrados. A natureza, porém, ainda esconde tesouros, descobertos ao acaso ou em expedições acadêmicas. O mapeamento mais recente do Instituto Internacional para Exploração de Espécies, da Universidade do Arizona, registra nada menos que 19.232 espécies encontradas em 2009, ano-base do documento de 2011. Um número que tende a aumentar, já que descobertas têm sido feitas com frequência.
Comparando-se ao relatório anterior, houve um aumento de 5,6% na identificação de novas espécies, com a inclusão de 9.738 insetos, 2.184 plantas e 41 mamíferos (veja quadro), entre outros. Com isso, o total de tipos de seres vivos existentes no planeta, classificados desde 1758, subiu para quase 2 milhões, número que vai quintuplicar, na opinião de Quentin Wheeler, entomologista da Universidade do Arizona. “Tudo leva a crer que ainda falta identificar pelo menos 10 milhões de espécies, incluindo plantas e animais”, afirma. Para quem acha muito, Wheeler lembra que, só no hábitat marinho, calcula-se que existam 20 milhões de espécies.
“A descoberta e a descrição de novas espécies não são importantes apenas para o estudo científico, mas essenciais na elaboração de políticas públicas que visem à conservação ambiental”, observa Terrence Gosliner, decano de Coleções Científicas da Academia de Ciências da Califórnia e líder de uma expedição realizada, no ano passado, às Filipinas. No continente asiático, os pesquisadores têm encontrado um verdadeiro paraíso de novas espécies. “Em lugares como as Filipinas, acreditamos que estejam escondidos os maiores tesouros, porque são regiões com florestas tropicais, montanhas altas, recifes de corais”, justifica Gosliner. O trabalho da Academia de Ciências da Califórnia, no ano passado, acrescentou 140 espécies ao catálogo.
Se os pesquisadores estão animados com as descobertas, eles também alertam que muitas podem desaparecer sem ter sido conhecidas. A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) divulga, todos os anos, a lista vermelha das espécies, indicando as extintas, em risco e ameaçadas. “O mundo está cheio de espécies maravilhosas que rapidamente se tornarão mitos ou lendas se esforços para a conservação não forem implementados com sucesso. Se não agirmos agora, gerações futuras podem não saber a aparência de alguns animais que conhecemos hoje”, alerta, em um comunicado, Jean-Christophe Vié, vice-diretor do Programa Global de Espécies da IUCN.
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