Senador não quer se indispor com PSB de olho em aliança em 2014
Tradicional parceira do PT, legenda está em ascensão e é dirigida pelo governador de PE, amigo do tucano
LEANDRO COLON
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
O PSDB avisou o DEM que não será "protagonista" no cerco ao ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional) e, em nome do senador Aécio Neves (MG), orientou o aliado a seguir sozinho contra o auxiliar da presidente Dilma Rousseff.
De olho nas eleições de 2014, a ala tucana ligada ao mineiro não quer melindrar o PSB do governador Eduardo Campos (PE), presidente do partido e fiador da indicação de Bezerra à Esplanada.
A legenda, tradicional parceira do PT, já é uma das principais forças políticas do Nordeste e sigla ascendente no Congresso Nacional.
Não por acaso, Aécio não quer se indispor com Campos, de quem é amigo e a quem tentará atrair para uma eventual dobradinha na próxima campanha presidencial.
O recado do PSDB ao DEM foi dado no fim de semana em conversas sobre qual estratégia adotar diante da crise envolvendo o ministro.
Enquanto o primeiro deixou claro que uma ofensiva para desestabilizar Bezerra não interessa a Aécio, o segundo manteve posição mais beligerante. Conforme o cálculo de dirigentes do DEM, seria um trunfo contra o Executivo a queda do oitavo ministro de Dilma.
Há, ainda, outra razão para a timidez tucana na crise: o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), não só representa o mesmo Estado que o ministro e Eduardo Campos como possui afinidades políticas com ambos.
Por enquanto, o PSDB vem adotando atitude mais protocolar nas cobranças ao ministro. Ontem, não assinou a representação que o DEM protocolou na Procuradoria-Geral da República pedindo abertura de investigação contra Bezerra.
Até agora, tucanos têm agido muito mais para alimentar as divergências entre PSB e PT na base aliada do que para desgastar o ministro.
Eis a missão definida para 2012: dividir e, se possível, dinamitar a relação de Dilma com os partidos que lhe dão sustentação. O objetivo é, ao mesmo tempo, criar problemas para a presidente no Congresso e, depois, atrair os insatisfeitos para a esfera de influência de Aécio.
Desde a semana passada, Bezerra é alvo de acusações de favorecimento no repasse dos recursos de sua pasta, nepotismo e privilégio ao filho.
Em conversas reservadas com Eduardo Campos, a base aliada e congressistas da oposição acertaram um rito que passará, até segunda ordem, só pela visita do ministro ao Congresso amanhã.
Irmão de ministro deixa chefia de estatal
Coelho é mantido, porém, como diretor
DE SÃO PAULO
O presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba), Clementino Coelho, irmão do ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional), deixou o comando da estatal, segundo decreto publicado ontem no "Diário Oficial da União".
Substituído por Guilherme Oliveira, que assume a empresa interinamente, Coelho volta para o cargo de direção da Codevasf.
A troca ocorre após acusações de que o ministro da Integração Nacional teria ignorado o decreto antinepotismo ao manter o irmão na estatal durante quase um ano.
Segundo a reportagem publicada ontem pela Folha, Bezerra obteve em dezembro o adiamento da cobrança de uma dívida de sua gestão na Prefeitura de Petrolina (PE), de 2000 a 2006, com a Codevasf, então comandada por seu irmão.
Segundo a estatal, prorrogações são "naturais" em procedimentos envolvendo diferentes esferas administrativas e possibilidades de recurso.
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